vejo teus
teus olhinhos pequenos
vejo-os perdidos
além de uma linha
aquém de um alguém
não sei
sinto, respiro
vejo-os noutro pensar
não os sinto no meu mundo
sinto-os num longínquo ar
num que queria ser
meu eu
vejo-os frágeis
deveras inocentes
procuram alguém
alguém eu queria ser eu
sinto compreender – incompreendido
dá-me uma relevância inócua
arrancam-me pedaços de carne
arrancam-me sem-vida elevados
fogem em nuvens negras, desaparecem
numa intoxicação libertina sarcástica
de poeira latente a gramas e gramas de pura alucinação
dado ar mortífera descensão, intrínseca sombra andante.
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