12.7.04

mandíbulas de tubarão


as mandíbulas de tubarão,
estremecem o meu mundo,
debulham larvas afincadas
em mais uma ripada de dispersão,
vejo, grito a aflição
a transbordar de cordas,
a estoirar de angústia,
elas grosam placa bacteriana,
roçam com raivas demoníacas,
estancam em finais felizes,
vivem mórbidas na tua cabeça,
vivem sórdidas na tua mente,
soltam urros trincados
num licor vermelho mate,
vivem por suicidar tua guelra,
por um velejar num suco intestinal.

escárnio


há um escárnio maluco,
doido por voltar,
ansioso para sentir aquela podridão no ar,
para voar nesse ambiente pestilento,
inverso a imaginável cúbito.
há um escárnio vivo,
intolerante provocador,
demo liquidificador,
contorna matérias,
destila-se em fibra

tudo o que acontece antes de um sono
a esse pertence, outro sono fará pertencer outro acontecer...

3.7.04

lacre


há alguém a morrer,
num buraco se fecha,
penumbra lacrada,
portada de matanças,
gotas de suor esmalte,
é alguém que dança na tua cova,
um estômago que salta,
por sem fome de fúria.
dá-lhe endiabrada bactéria,
teus fungos vistosos,
os teus fluídos,
em barriga vazia,
térmita que engole teu fígado,
para não ter a te ver por mais quem não seja,
vês tuas órbitas lancetadas,
sangrando a plenos pulmões,
palavras que não lhe saem.
um estômago de fúria,
por não a conter,
tirana plástica,
emancipada de agonia,
imunda de linfas,
em gosto de mártir não por ficar para morrer,
por ir em não haver que ficar.

gota felpuda


gota felpuda,quente a aquecer o céu,a dourar entradas inglórias,
prováveis plasmas mornos,
num ambiente inócuo,
o fel de uma puda,
uma gota,
dá-me uma gota do teu fel puda,
mutante fria,
arrepia-me a tua pele,
medusa coacção,
massudo falecer
petulante ludibriez,
de emancipação frenética,
faço titã,
peço a sebenta
a gota de teu fel sua puda.