3.7.04

lacre


há alguém a morrer,
num buraco se fecha,
penumbra lacrada,
portada de matanças,
gotas de suor esmalte,
é alguém que dança na tua cova,
um estômago que salta,
por sem fome de fúria.
dá-lhe endiabrada bactéria,
teus fungos vistosos,
os teus fluídos,
em barriga vazia,
térmita que engole teu fígado,
para não ter a te ver por mais quem não seja,
vês tuas órbitas lancetadas,
sangrando a plenos pulmões,
palavras que não lhe saem.
um estômago de fúria,
por não a conter,
tirana plástica,
emancipada de agonia,
imunda de linfas,
em gosto de mártir não por ficar para morrer,
por ir em não haver que ficar.

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