15.4.05

vejo o meu riso tropeçar num degrau,
não o vejo sentir a dor profunda,
vejo-me daí a tempos afundado numa mágoa fria,
vejo em meu redor peste e podridão, vejo o meu bife pisado no chão.

o frio do gelo preso nos meus ventrículos,
se quebra com quem parte.

o frio nas minhas costas toma os meus pulmões,
respiro essa brisa gelada que me é dada.
morro no meu covil de lençóis,
choro pela minha carne morta - com glória, só minha - pela minha carne ainda morna.
choro pelas réstias de vida que o bife tem.