20.12.07

homem elefante
homem podre
homem bactéria
homem merda
homem cona.

13.9.07

Com dor nos braços é difícil escrever,
com o lápis afiado é mais fácil,
deito a dor no papel,
deito-a, aconchego-lhe as mantas com o lápis,
ela ainda não adormeceu,
chega a mim a sonolência.
Acho que estou enganado, ela não me deixa ir embora,
ela não me está a deixar dormir.
Com ardor nos braços é difícil não tremer,
com o papel recuado é mais fácil.
Estendo o ardor no cordel,
estendo-o, cedo-lhe às tantas o papel,
ele ainda não morreu,
entra por fim a incompetência,
acho que vou maltratado, ela se queixa da demora.
Nela estão a evitar escindir.

12.9.07

Madeira que se afunda,
cidreira que abunda,
vil sujeito,
subtil suspeito,
imunda a lixeira,
que inunda a cordilheira,
suspeito senil,
de despeito ao civil
então para quem está aqui,
aqui com a goela apertada,
aqui com a cabeça rodada,
aqui agachada.

com a moela estremecida,
com as verduras a fintar a vertigem,
a paranóia sobrevivente enternecida,
a tramóia a vingar impigem.

o desconhecido no canto da pista,
as couves no manto de terra,
o degolado no pranto da conquista,
a terra a aquecer a moela que emperra.
a transpirar hemorróidas,
ah ah ah, a derrubar loiras pelo caminho,
a expôr crónicas dos melhores dias,
empanturrar com harmónicas bem devagarinho,
a transpirar melhores dias,
a respirar piores alegrias,
comendo os olhos de quem te olha,
olhando a boca de quem queres,
olhando a boca da tua pele,
comendo a pele da tua boca.

arroto de toxinas, arroto dióxidos,
arroto de quem carne podre comeu,
de quem bocas podres mordeu,
quem tresanda a vil pigmeu.

11.9.07

linhas que se alternam,
claro com escuro,
cor com cor,
riscas que se riscam,
que atravessam planos, têxteis com têxteis.

vidros que cessam vistas antigas
vidros que catapultam novos seres,
vidros que vidram riscos, linhas.

pés que acariciam o chão que vou pisar,
pés que carícias oferecem ao mais sórdido plano.

rolhas que deliciam
rolhas que fecham bebidas gaseificadas
gás violento torneado pela fina rosca da rolha
fina rosca que se enrola, se encripta.
agonia,
agonia com sincronia,
digo - gemia?! geme a dor,
suspira brisa alguma,
inspira vida nenhuma,
sois má-rês, sois o mal,
o mal que me entra pelo nariz.
aquele que me esventra,
que me pregou a cicatriz.
quem sois, ensurdecedor
que nem dois metais se raspando,
sois vós um calafrio de agonia
aquele que me rebenta os tímpanos
quem me incendeia os olhos
quem verte a benzina
em flamejantes órbitas.
quem sois - sois má-rês. vossa ruindade vos salta da casaca.

2.9.07

risota, com tostas - sai mel,
com mel - sai tostas,
oh carlota, oh oh,
com sal sai, com sal fica,
com tostas, sem torrão,
sem queimar, sem pão,
com tostado, com calor,
com mel, sem pão,
mais risota com torrão,
mais tostas sem sal,
mais calor, sem sal,
carlota com sua risota,
carlota sem suas tostas
carlota com torrão e sem risota.
demente quem lascivo é
sóbrio quem quer ser
cínico que lascivo quer saber,

quem tecidos quer cozer
quem tecidos quer romper,

sobriedade fungosa, serenidade para o céu
fidelidade dictosa, solidariedade cai no céu

sai de véu e comeu o meu.

cheira a saliva ao fundo da rua,
as paredes carregadas de odores fortes,
escorrem pelo chão de pedras fixas,
cheira a viva, o mundo da rua,
das redes dadas de dores e cortes,
morrem em vão de quedas e rixas.

29.8.07

por vezes, parece-nos difícil,
parece-nos, que não parece,
que tormentas nos incomodam,
que tormentas nos matam, quem são elas que
nos comem o fígado, enquanto ainda vivemos.
que tormenta me mata a esta hora?
que tormenta me livra a esta hora?
se que, quem me mata, não sei
não sei quem morre
quem me mata
quem me come vivo
quem ficou em pedra na minha cabeça
quem podia ficar.
subtil, ou sob o til
sub acento ou sob o circunflexo
subcriatividade
sub-dor-no-antebraço,
num ponto redondo tanto,
há discrepâncias para todos
há carne morta debaixo dos pés
por conta disso, há um pivete.
de braço dado - dado à d. náusea,
são sementes de peste espalhadas sob o solo,
caem por entre os dedos, dos pés e infiltram-se
em pequenas fendas sem fim no solo que pisa,
sub solo, subsolo esmagam estas sementes que um dia viverão.
são três corvos,
os que estão na mesa do canto,
os que vão na treta do pranto
são três, os corvos que raspam os bicos no asfalto,
são, eles,
vira-me um gin. para dentro do meu copo
viro um trago - para dentro de mim
são eles três, três que no canto estão,
são de cor - cor das suas sombras.
são três, os corvos que cortam as asas no caminho
são, eles,
os que vivem ao canto,
que pestanejam quanto, que não sabem de alguém mais.
são três as aves que me atormentam esta escrita adormecida.
hã, hã, tem qualquer coisa,
de fervilhante - alguma electricidade ligada a subtis movimentos.
que nos levam por flutuares dançáveis melodiosos,
que nos levam por abismos de escarpas sem fundo,
que nos levam,
nos fazem cavalgar ondas, junto a empurrões e serrotes vibrantes.

por algo constante - a correr,
a coxear - quando constante não é,
entre vivos choros, francesisses,
o coxo corre, o coxo ganha,
aos trambolhões, com sprints inesperados,
sem objecções, com maus cuidados,

vozes nos levam,
vozes nos levam em canções angulosas planas ou inanimadas,
nos levam, nos lavam em melancolia.

1.7.07

às vezes dizemos merdas de que nos arrependemos.

passo os dias ainda sem perceber o que poderia ser ou não, fazer ou não.

hoje está sol, mas há muita sombra.

1.5.07

cão e papel e cordas
ao monte num batel.
bem-vindo,
tira, enrola e come.
sebastião comeu-o
frio, tirou-o, frigorífico.