29.8.07

por vezes, parece-nos difícil,
parece-nos, que não parece,
que tormentas nos incomodam,
que tormentas nos matam, quem são elas que
nos comem o fígado, enquanto ainda vivemos.
que tormenta me mata a esta hora?
que tormenta me livra a esta hora?
se que, quem me mata, não sei
não sei quem morre
quem me mata
quem me come vivo
quem ficou em pedra na minha cabeça
quem podia ficar.
subtil, ou sob o til
sub acento ou sob o circunflexo
subcriatividade
sub-dor-no-antebraço,
num ponto redondo tanto,
há discrepâncias para todos
há carne morta debaixo dos pés
por conta disso, há um pivete.
de braço dado - dado à d. náusea,
são sementes de peste espalhadas sob o solo,
caem por entre os dedos, dos pés e infiltram-se
em pequenas fendas sem fim no solo que pisa,
sub solo, subsolo esmagam estas sementes que um dia viverão.
são três corvos,
os que estão na mesa do canto,
os que vão na treta do pranto
são três, os corvos que raspam os bicos no asfalto,
são, eles,
vira-me um gin. para dentro do meu copo
viro um trago - para dentro de mim
são eles três, três que no canto estão,
são de cor - cor das suas sombras.
são três, os corvos que cortam as asas no caminho
são, eles,
os que vivem ao canto,
que pestanejam quanto, que não sabem de alguém mais.
são três as aves que me atormentam esta escrita adormecida.
hã, hã, tem qualquer coisa,
de fervilhante - alguma electricidade ligada a subtis movimentos.
que nos levam por flutuares dançáveis melodiosos,
que nos levam por abismos de escarpas sem fundo,
que nos levam,
nos fazem cavalgar ondas, junto a empurrões e serrotes vibrantes.

por algo constante - a correr,
a coxear - quando constante não é,
entre vivos choros, francesisses,
o coxo corre, o coxo ganha,
aos trambolhões, com sprints inesperados,
sem objecções, com maus cuidados,

vozes nos levam,
vozes nos levam em canções angulosas planas ou inanimadas,
nos levam, nos lavam em melancolia.