30.10.08

que
dia seco, onde
tarefas do inútil
de apreço cagalhonês
rebolam pela ladeira de barro claro 
minha santidade é imatura
minha santidade é ingénua
não é a afinidade que lhe concede as volúpias
que na tarde se estendem melosas
nem me provêem
as cruzes que tem atravessadas nas costas
eis-me aqui depois de um rol de adjectivos improváveis
depois de um dia seco, de mais um dia zero, de mais um dia nada
que anoitece com escritas dementes automatizadas
vê fechar as lebres dilaceradas
e vê o vento cobrir a porcaria na janela
não falo mais do que a noite guarda
não digo o que a tarde escondeu
defeco tudo o que me doeu
a minha santidade é ignóbil

23.10.08

quero ver estorninhos a dançar por cima dos teus cabelos
quero ver entardecer o dia em que estivemos juntos
quero soltar gemidos, arrastar-me, ver-te de joelhos
quero voltar de noite, ver, fechar os olhos, não pensar muito