29.1.11

barrado com película de cristal
quebradiça aparência
oculta a forma como se ferra
e entranha nos músculos
esmaga os volumes outrora carnudos
outrora quentes
nisto as pernas já morreram
nisto os braços estão vivos
pela força da caneta
a flanela não ajuda
gemes como Tristessa
até apertas as nádegas para que não entre alguma brisa gelada
pelo olho do cu
e te suba pela espinha,
o meu coração de flanela e couro
está empedrado,
ao relento.

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