31.5.11

o último que ri
o último vampiro
o que se pode rir
o que usa os teus
gestos e a tua vida.

22.5.11

na decadência

na decadência de já não saber
onde se vive, onde se morre
onde já estive
com e sem decência
sentado e deslavado
com e sem pessoas, plantas, animais
com pedras
viva carência
vil carne empobrecida
à inteligência
não resta dívida
o espírito aguarda a um canto
impávido desenquadrado,
à ciência
o imoral

19.5.11

antes de ser vivo

antes de ser vivo
antes de alcançar
a tristeza abençoada
antes de ser um foragido
de esquecer de beber
e baixar a cabeça.

1.5.11

sete caixas fechadas na orla

sete caixas fechadas na orla,
na onda crescente larga
dos longos cabelos negros da noite amarga
sete aloquetes, uma borla

quantos segredos, quantas viagens
apertadas contra paredes vidradas
aquecem, enternecem seios e coxas
levantam, voam voam sem paragens
brisas pelos cabelos longos iradas
esquecem, amolecem ondas mochas.

(silvia)