vultos de sangue percorrem nossos
odores em corpos, matéria envolta
vultos de culpa ensombram tais colossos
amores mortos, veleja aqui solta
surtos de escuridão mesquinha alada
22.6.11
15.6.11
O odor a cebola
O odor a cebola prende-te os dedos, colado da terra, frutosa, uma profunda seiva, fecunda, néctar rico.
A perseguição já vai longe, corre desde a última refeição, corre por tempos e espaços diversos, corre, atravessa dimensões, perpetua na tua epiderme o desgosto a deslocação gananciosa sideral.
A perseguição já vai longe, corre desde a última refeição, corre por tempos e espaços diversos, corre, atravessa dimensões, perpetua na tua epiderme o desgosto a deslocação gananciosa sideral.
divagação: bipolar
Não lhe chamaria bipolaridade, antes "multi-polaridade", seria mais correcto, já que constantemente se perde a noção dos pólos. Já não estaria muito longe da verdade se dissesse ser "inpolar" ou "anpolar". Pois tenho dúvidas se existirá definição suficiente para ser constituído um pólo
13.6.11
10.6.11
soneto amador livre #02
ainda há edifícios por demolir
ainda há paredes para engolir
almas empestadas de cimento
qual vinagre, qual constrangimento
almas que te fazem carpir
ainda há maldade a infligir
dor que passa por alimento
um sólido estacado no pensamento
prédios, casas, métricas, pa' cumprir
linhas, almas, bocas mastigadas
incontáveis rebentos para florir
vultos mortos moles petrificados
muros de cimento em quatro estopadas
mil castros cadáveres edificados
ainda há paredes para engolir
almas empestadas de cimento
qual vinagre, qual constrangimento
almas que te fazem carpir
ainda há maldade a infligir
dor que passa por alimento
um sólido estacado no pensamento
prédios, casas, métricas, pa' cumprir
linhas, almas, bocas mastigadas
incontáveis rebentos para florir
vultos mortos moles petrificados
muros de cimento em quatro estopadas
mil castros cadáveres edificados
maquiavélica indolor
maquiavélica indolor
três quartos limados dum supor
andrógina vil e sarcástica
maquinaria imbecil plástica.
três quartos limados dum supor
andrógina vil e sarcástica
maquinaria imbecil plástica.
9.6.11
soneto amador livre #01
e por aqui ficamos
quando já nada nos espera
por aqui se fecha a nossa esfera
onde já tarde nos deitamos
e por aqui estamos
onde nasceu e morreu a glória
por aqui se fez história
onde perdidos nos amamos
e por aqui nos deixamos estar
por aqui tentamos arrastar
degustar congelando neste segundo
por aqui ficamos em gelo
com os ponteiros enrolados em novelo
por aqui morreremos, abastados deste mundo
quando já nada nos espera
por aqui se fecha a nossa esfera
onde já tarde nos deitamos
e por aqui estamos
onde nasceu e morreu a glória
por aqui se fez história
onde perdidos nos amamos
e por aqui nos deixamos estar
por aqui tentamos arrastar
degustar congelando neste segundo
por aqui ficamos em gelo
com os ponteiros enrolados em novelo
por aqui morreremos, abastados deste mundo
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8.6.11
dias de festa,
dias da noite,
dias dobrados,
dias sobrados do que lhes resta,
coisas rolam e pulam,
coisas que se notam,
coisas que se bajulam,
coisas de dias que perduram,
dias com coisas que emulam,
dias dobrados em coisas mil,
longe dos dias das vaginas bem vestidas,
restou o dia soturno civil,
onde logrou o suor das investidas.
dias da noite,
dias dobrados,
dias sobrados do que lhes resta,
coisas rolam e pulam,
coisas que se notam,
coisas que se bajulam,
coisas de dias que perduram,
dias com coisas que emulam,
dias dobrados em coisas mil,
longe dos dias das vaginas bem vestidas,
restou o dia soturno civil,
onde logrou o suor das investidas.
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