17.9.11

soneto amador livre #04

dessa idiota convalescência
deixo que se eleve, que se torneie,
que essas carnes em incandescência
fulgente, nervosa se incendeie

desse calor que erra nu, vagas
me envolvem, iridiscentes
pragas trepidantes percorrem-me
esses músculos em chama dormentes

tépida atmosfera envolvida
embutida em vermelho d'ouro
falsa mesquinhez enriquecida

dessa cama quente revolvida
donde morreu e nasceu ferro frio
entupida de fulgor e cor ida

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