se o suicídio bastasse
se esse edifício já não tivesse pé
se as noites tivessem mais tentações
se todos os abraços frios fossem mais quentes
se os calções de verão ficassem todo o ano na ementa
se o teu coração não escavasse no meu as esporas de domador
se rabos dourados houvesse todo ano
não sei se o meu suicídio bastaria
restariam migalhas
grãos de sal na toalha do almoço
nesse edifício de carne já só são vivas as paredes do desequilíbrio
nessa pose de ninfo-virgem sobra o descalabro
o fim das quedas
cravam-se no meu tecido entorpecido
já só dormem mobílias antigas
mobílias de outra cidade.
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