25.10.12

gutural framboesa

o sentimento desmedido
a calma delirante
o desmentido
a distância verdejante
palerma descontente, aspecto vendido
gutural framboesa

21.10.12

ossos finos

ossos finos fazem leituras,
duros e esguios, enrolam-se na pele
queimada pela luz ocre vadia,
estéril e solitária,
deixa-se cair sobre as folhas dos livros,
cai escurece o papel e embrenha-se
nas pontas dos dedos do homem,
encrava-se por baixo das unhas, pelas
dobras do osso mais duro e fino,
deixam-se cair pestanas na solidão ocre,
inunda-se num permanente ida.

20.10.12

havia doses de cânhamo

havia doses de cânhamo
espalhadas pelo chão,
doses contadas, e ordenadas,
em números primos prevalecem
a furos no banco de mogno escuro,
havia caixões em nogueira, cerejeira e carvalho,
pregados com finos
pregos de aço duro,
havia cânhamo,
havia números, doses,
unidade, matemáticas
e materiais,
no vazio das caixas
mora o desprezo do corpo.

à monogamia interior

à monogamia interior
ao decadentismo
ao desprezo
às paragens de digestão
ao desamparo subliminar
às quedas dentro do copo
aos cães que rogam
aos que cantam o teu destino
aos intestinos que se contorcem
às quedas livres
aos corações
às más percepções
aos goles de verde espírito
à controvérsia incolor
ao eufemismo
às margens do vulcão
ao sono deitado no mar
às pedras que já enxoto
às mães que choram.