menosprezamos sensatez
à igualdade reivindinco o ridículo
(2011)
25.10.13
31.8.13
sobre o infortúnio de estar vivo
escritos sobre o infortúnio de estar vivo. sobre o pensamento suicida. sobre a queda voluntária do sistema analítico e processador da vida corrente. escritos sobre ser olhado enquanto escrevo isto num sábado à noite num café. sobre inglórios momentos. sobre irrisórios dias, preenchidos de inutilidade e dinheiro. sobre todas as não-decisões. sobre a queda do império que nunca existiu.
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Mais do que duro e veloz
mais do que duro e veloz
do céu branco caem brancos
à eternidade já pouco falta
ao tempo pouco de atroz
do tiritar ao nervoso
ao imperial ao consumista
do imóvel cavernoso
mais do que inútil e errado
das páginas sãs não sai nada
daqui ao prelúdio pouco falta
que o plástico não te consuma
do afiambrar ao duvidoso
ao eterno à recompensa
do caixão luminoso.
do céu branco caem brancos
à eternidade já pouco falta
ao tempo pouco de atroz
do tiritar ao nervoso
ao imperial ao consumista
do imóvel cavernoso
mais do que inútil e errado
das páginas sãs não sai nada
daqui ao prelúdio pouco falta
que o plástico não te consuma
do afiambrar ao duvidoso
ao eterno à recompensa
do caixão luminoso.
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6.8.13
As mãos agarram as pernas
não sei como
já não sei quando
as minhas falanges se enrolaram em si
e se fizeram cordas
quando me dou conta
já as mãos se agarram às pernas
as pernas às mãos
numa simbiose, um oroboro
não corro não ando
não falo,
as mãos agarram as pernas
já não sei quando
as minhas falanges se enrolaram em si
e se fizeram cordas
quando me dou conta
já as mãos se agarram às pernas
as pernas às mãos
numa simbiose, um oroboro
não corro não ando
não falo,
as mãos agarram as pernas
6.7.13
Herta
"Perguntou-me de novo se me interessava por entomologia.
– Doidamente – respondi, não faço outra coisa de manhã à noite. Para mim o que não tem seis patas não conta.
– E duas patas?
– Raramente
– Olhe para mim, sério.
Eu olhei para ela, sério. E é das coisas mais lindas para que tenho olhado na minha vida: força, audácia, inteligência, e o negro cabelo mais solto que no bar e os olhos mais escuros na quase penumbra do navio. Ficara de lábios entreabertos como para falar e eu esperava para a escutar, como se fosse para a eternidade. Oxalá fosse para a eternidade, eis a ideia que me acudiu, o que significa provavelmente que eu não estava muito bom da cabeça."
in "Herta" Herta Teresinha Joan, de Agostinho da Silva
– Doidamente – respondi, não faço outra coisa de manhã à noite. Para mim o que não tem seis patas não conta.
– E duas patas?
– Raramente
– Olhe para mim, sério.
Eu olhei para ela, sério. E é das coisas mais lindas para que tenho olhado na minha vida: força, audácia, inteligência, e o negro cabelo mais solto que no bar e os olhos mais escuros na quase penumbra do navio. Ficara de lábios entreabertos como para falar e eu esperava para a escutar, como se fosse para a eternidade. Oxalá fosse para a eternidade, eis a ideia que me acudiu, o que significa provavelmente que eu não estava muito bom da cabeça."
in "Herta" Herta Teresinha Joan, de Agostinho da Silva
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23.6.13
sobre poesias do descalabro
sobre poesias do descalabro
sobre razões empobrecidas
versos inócuos sobre sentimentos de outros
e distâncias longas
sobre fantasias do velho adro
sobre canções conseguidas
sobre ventos adversos
redundâncias, ondas
sobre o feito e o desfeito,
o impensável moribundo desperto,
e a dança das folhas,
os cães no céu perfeito
sobre o desvendável e o incerto
sobre palavras presas em lama
sobre razões empobrecidas
versos inócuos sobre sentimentos de outros
e distâncias longas
sobre fantasias do velho adro
sobre canções conseguidas
sobre ventos adversos
redundâncias, ondas
sobre o feito e o desfeito,
o impensável moribundo desperto,
e a dança das folhas,
os cães no céu perfeito
sobre o desvendável e o incerto
sobre palavras presas em lama
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1.5.13
10.3.13
4.2.13
a ode
parte 1 – os cães
os humildes,
os fracos,
os conas,
odeio-os,
odeio os ingénuos,
odeio os indecisos,
odeio os incapazes,
odeio os envergonhados,
os horríveis,
os cães,
odeio os bloqueados,
odeio estes bailes,
estas danças,
odeio a alegria,
odeio o grafite,
odeio o pensamento,
amo a morte,
amo o desespero,
amo a demência,
o suicídio,
amo o ódio;
esta uma ode à carnificina mental,
ode à decadência emocional,
ode ao princípio do fim,
às lágrimas,
ode ao resto,
ao infortúnio,
ode às noites baralhadas,
ode à pessoa.
parte 2 – ode ao cagalhão
ode ao cagalhão,
à merda que vem dentro de ti,
ode ao teu coração,
ao que já vivi,
aos cães cismados,
ao estardalhaço,
aos animais enfurecidos,
ode à folha suja,
ode ao meu espaço,
ao real parvalhão,
ode que implode,
ode que trespasso,
aos rituais esquecidos,
ode à canalha que surja,
ao meu servil maço,
ode à implosão,
ode ao cão que não morde.
os humildes,
os fracos,
os conas,
odeio-os,
odeio os ingénuos,
odeio os indecisos,
odeio os incapazes,
odeio os envergonhados,
os horríveis,
os cães,
odeio os bloqueados,
odeio estes bailes,
estas danças,
odeio a alegria,
odeio o grafite,
odeio o pensamento,
amo a morte,
amo o desespero,
amo a demência,
o suicídio,
amo o ódio;
esta uma ode à carnificina mental,
ode à decadência emocional,
ode ao princípio do fim,
às lágrimas,
ode ao resto,
ao infortúnio,
ode às noites baralhadas,
ode à pessoa.
parte 2 – ode ao cagalhão
ode ao cagalhão,
à merda que vem dentro de ti,
ode ao teu coração,
ao que já vivi,
aos cães cismados,
ao estardalhaço,
aos animais enfurecidos,
ode à folha suja,
ode ao meu espaço,
ao real parvalhão,
ode que implode,
ode que trespasso,
aos rituais esquecidos,
ode à canalha que surja,
ao meu servil maço,
ode à implosão,
ode ao cão que não morde.
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