31.8.13

sobre o infortúnio de estar vivo

escritos sobre o infortúnio de estar vivo. sobre o pensamento suicida. sobre a queda voluntária do sistema analítico e processador da vida corrente. escritos sobre ser olhado enquanto escrevo isto num sábado à noite num café. sobre inglórios momentos. sobre irrisórios dias, preenchidos de inutilidade e dinheiro. sobre todas as não-decisões. sobre a queda do império que nunca existiu.

Mais do que duro e veloz

mais do que duro e veloz
do céu branco caem brancos
à eternidade já pouco falta
ao tempo pouco de atroz

do tiritar ao nervoso
ao imperial ao consumista
do imóvel cavernoso

mais do que inútil e errado
das páginas sãs não sai nada
daqui ao prelúdio pouco falta
que o plástico não te consuma

do afiambrar ao duvidoso
ao eterno à recompensa
do caixão luminoso.

6.8.13

As mãos agarram as pernas

não sei como
já não sei quando
as minhas falanges se enrolaram em si
e se fizeram cordas
quando me dou conta
já as mãos se agarram às pernas
as pernas às mãos
numa simbiose, um oroboro
não corro não ando
não falo,
as mãos agarram as pernas